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100SentidoComSentido

Divagando por aí.... Pescar palavras, ideias, imagens com sentido, sem sentido, mas sempre, sempre com os sentidos à flor da pele. Às fotografias e textos que vou fazendo, igualmente junto coisas que gosto. De amigos, ou de pessoas que admiro. Por aqui viverá a textura da minha pele. Por aqui escorrerá a minha vida.

Favicon 19 Nov 2008, 6:33 pm



"Os cineastas têm um arco-voltaico incandescente num coração que bate a 24 imagens por segundo.

Os fotógrafos, esses, revelam-nos o infinito à velocidade da luz"

José Carlos Faria




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FaviconLagoa de Óbidos - 4 quadrantes, 20 olhares 14 Nov 2008, 7:55 pm


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FaviconLagoa de Óbidos - 4 quadrantes, 20 olhares 13 Nov 2008, 7:08 am


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Favicon"Quand on a que l'amour" 12 Nov 2008, 2:10 pm

Jacque Brel et Maurice Béjart

FaviconJacques Brel, La Chanson des Vieux Amants 12 Nov 2008, 1:53 pm

FaviconDia de S. Martinho - "O Homem das Castanhas" 11 Nov 2008, 11:32 am


O Homem das Castanhas

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,
à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.


É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.
A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.


Ary dos Santos

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Favicon"Não sei com dizer-te.." 10 Nov 2008, 8:35 pm

"Não sei como dizer-te que minha voz te procura e a atenção começa a florir, quando sucede a noite esplêndida e vasta. Não sei o que dizer, quando longamente teus
pulsos se enchem de um brilho precioso e estremeces como um pensamento chegado. Quando, iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de
um tempo distante, e na terra crescida os homens entoam a vindima - eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.

Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante
a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios,
sinto que me faltam um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milgares
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
que te procuram.


Herberto Helder

FaviconLago dos Cisnes, Parque das Caldas 10 Nov 2008, 6:46 am


Swan Lake Odette Variation, TCHAIKOVSKY (Svetlana Zakharova)














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FaviconStardust 6 Nov 2008, 12:35 pm


Dave Brubeck - Stardust

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FaviconFios azúis de trombone dourado 5 Nov 2008, 12:47 pm

The Leaders
Seixal Jazz, 2008

CURTIS FULLER

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FaviconA Importância da Arte 4 Nov 2008, 12:09 pm

Gustav Courbet (1828-1885)
Seacoast

"A arte é, provavelmente, uma experiência inútil; como a «paixão inútil» em que cristaliza o homem. Mas inútil apenas como tragédia de que a humanidade beneficie; porque a arte é a menos trágica das ocupações, porque isso não envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de música, fazia-se um deserto extraordinário. Acreditem que os teares paravam, também, e as fábricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte é, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e há decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam à experiência inútil que é a arte, pessoas como Virgílio, por exemplo, e que sabem que o seu silêncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e só ficasse no ar o ruído dos motores, porque até o vento se calava no fundo dos vales, penso que até as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vitória, com a mansidão das coisas estéreis. O laço da ficção, que gera a expectativa, é mais forte do que todas as realidades acumuláveis. Se ele se quebra, o equilíbrio entre os seres sofre grave prejuízo."


Agustina Bessa-Luís, in Dicionário Imperfeito


The Music Teacher - Ich Bin Der Welt Abhanden Gekommen






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FaviconToumani Diabaté 'Cantelowes' 30 Oct 2008, 5:40 pm

FaviconMúsica Pintada Vassily Kandisky 30 Oct 2008, 4:31 pm

Horizontal, 1924
Improvisation 30, 1913
The Art Institute of Chicago
(aqui a lembrar as cores da cerâmica do Eduardo Constantino)

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FaviconPelas texturas e brilhos CHROMA Eduardo Constantino 28 Oct 2008, 6:24 pm











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FaviconPelas cores CHROMA Eduardo Constantino 28 Oct 2008, 5:10 pm







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FaviconPelas Formas CHROMA Eduardo Constantino 28 Oct 2008, 2:11 pm




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FaviconCHROMA de Eduardo Constantino 28 Oct 2008, 10:25 am


Se ainda não foram, não deixem de ir à Galeria Ogiva em Óbidos (até 2 de Novembro)
(...)
"Se a natureza é matéria, a reconstrução a que o ceramista procede, tirando partido do que podemos antecipar para melhor preparar a explosão da metamorfose, é um exercício idêntico ao da poética. Estamos perante o que os gregos , para distingui a mera reprodução do real da narração criativa chamaram transfiguração. A transfiguração torna possível um novo mundo. Este é talvez o conceito que melhor identifica a obra de Eduardo Constantino"
João B. Serra in Eduardo Constantino CHROMA, catálogo da exposição, Galeria Ogiva, Out./Nov. 2008

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FaviconJade 28 Oct 2008, 10:15 am


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Favicon"Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada" 23 Oct 2008, 4:54 pm

"Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases.
Por exemplo:- Imagens são palavras que nos faltaram.-
Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.-
Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira.
Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo:
há pessoas que se compõem de actos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras."

Manoel de Barros
"O Guardador de Águas"

FaviconCandido Portinari (1903-1962) 23 Oct 2008, 12:45 am

Clarinetista,1961
Pintura a têmpera/tela 195 x 129 cm
Colecção particular, Belo Horizonte


Músico c.1959
Pintura a óleo/cartão 24.5 x 13.8 cm
Colecção particular, Rio de Janeiro

Aquarela do Brasil, Ari Barroso





Clarinetista,1960
Pintura a óleo/madeira 63 x 52cm (aproximadas)
Colecção particular, Belo Horizonte












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Favicon 23 Oct 2008, 12:41 am

"Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria.
És uma faca cravada na minhavida secreta.
E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outronas trevas.
"Herberto HelderPHOTOMATON & VOX
Assírio & Alvim1995

FaviconMúsica Pintada, Henri Matisse (1869-1954) 15 Oct 2008, 7:28 pm

A Música
1939
óleo s/ canvas (115.2 x 115.2 cm)
Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY

O Alaúde
Fevereiro 1943
Óleo s/ canvas (59.4 x 79.5 cm)
Colecção privada


A Lição de Música

1917

Óleos s/ canvas(244.7 x 200.7 cm)

Barnes Foundation, Merion, PA


STING & EDIN KARAMAZOV - ST LUKES CONCERETTE PART 2


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FaviconMúsica Pintada, Henri Matisse (1869-1954) 15 Oct 2008, 7:23 pm

Jazz (1947) é um livro com cerca de cem gravuras feitas com base em recortes de papel. Os temas são o teatro e o circo. A linha de orientação, a improvisão, daí Jazz.
O artista escreveu em 1947 a um amigo " Existem coisas maravilhosas no verdadeiro jazz, o talento de improvisar, a vivência, do músico e do público tornarem-se apenas num".


Ícarus
1947
da série "Jazz"


O Destino
Plate XVI da série "Jazz"
O Lançador de facas
XV da série "Jazz"
O Circo
Plate II da série"Jazz"

Charlie Parker & Dizzy Gillespie


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FaviconMúsica Pintada 15 Oct 2008, 7:16 pm

"Música pintada" foi uma recolha feita no ano passado numa homenagem à pintura e à música.
A vossa ajuda será bem vinda.

Favicon 13 Oct 2008, 4:20 pm

"a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação
¿e se me tocam na boca?
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,
o último,
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,
papel de seda que a rútila força lírica rompa,
um arrepio dentro dele,
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,
e assim a mão escrita se depura,
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,
manchas ultravioletas a arder através do filme,
leve poema técnico e trémulo,
linhas e linhas,
línguas,obra-prima do êxtase das línguas,
tudo movido virgem,
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento
¿tenho acaso no nome o inominável?
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,
mas com grandes mãos, e eu brilhei,
o meu nome brilhou entrando na frase inconsútil,
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?
fora? dentro?
no aparte,
no mais vidrado,
no avesso,
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,
fibra lavrada sangrando,
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica
como alma: plenitude,
através de um truque:
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,
poema trabalhado a energia alternativa,
a fervor e ofício,
enquanto a morte come onde me pode a vida toda"

Herberto Hélder, A faca não corta o fogo, Assírio e Alvim, Lisboa, 2008
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